Fraude Eletrônica. Caí em um golpe! O que eu faço?


Com os avanços na comunicação eletrônica verificados nos últimos anos, certamente em maior volume nos últimos dois, em razão da pandemia de Covid-19, o número de registros policiais de golpes praticados no meio virtual disparou. Para se ter uma noção da gravidade do panorama, matéria veiculada na CNN Brasil em março deste ano aponta um aumento médio de 340% neste tipo de registro apenas no ano de 2021[i].


Embora as Polícias, tanto estaduais quanto federal, estejam investindo maciçamente em tecnologia com o objetivo de combater esta modalidade de crime, é certo que o avanço dos “empreendedores do crime” é alavancado por sua criatividade. Sempre que uma nova ferramenta financeira ou de comunicação é criada, surge um terreno fértil para a imediata ação dos maus intencionados. E, neste ponto, é importante frisar que a legislação que visa a investigação deste tipo de crime e a proteção do cidadão não avançam a contento: ainda existem muitas travas burocráticas e uma superproteção do acesso aos dados que, ao mesmo tempo em que resguardam o consumido, protegem o golpista.


Os registros deste tipo de ocorrência aumentaram tanto que, em 28 de maio deste ano, entraram em vigor alterações no art. 171 do Código Penal prevendo que a pena para as fraudes eletrônicas passa a ser de 4 a 8 anos de reclusão, em contraste ao estelionato tradicional, cuja pena varia de 1 a 5 anos de reclusão. As alterações no texto do artigo base do tipo penal ainda acrescentaram uma causa de aumento de pena de 1/3 ao dobro contra os crimes desta natureza praticados contra idosos – o que indica claramente a principal faixa etária vítima destes crimes.


Com a intenção de esclarecer ao público acerca dos riscos de transações digitais incautas, a Febraban publicou uma cartilha eletrônica enumerando as principais modalidades deste tipo de crime[ii], já que as fraudes e golpes financeiros mudam a cada dia e a melhor forma de prevenção é se manter informado. A seguir apontaremos os cinco golpes de maior incidência e como agir ante tais situações:


Golpe do Falso Empréstimo: a vítima recebe uma oferta de empréstimo com taxas altamente atrativas e sem consulta a cadastros de proteção ao crédito. Invariavelmente, o criminoso solicita cópia dos documentos da vítima e um adiantamento – isso mesmo, o autor solicita um pagamento de quem está pedindo o empréstimo a título de taxas ou impostos – sempre alegando que o valor será restituído no momento da concessão do crédito à vítima.

· Atenção! Instituições financeiras não exigem nenhum adiantamento para fornecer crédito, eventuais taxas e impostos estão inclusos no montante de crédito cedido à vítima, juntamente com os juros. Se você foi vítima deste tipo de crime, imediatamente corte as linhas de comunicação com os golpistas – bloqueie os telefones e e-mails dos criminosos – e procure a Delegacia de Polícia. No Paraná, este registro pode ser feito eletronicamente no site da Delegacia Eletrônica[iii].


Golpe do WhatsApp: o criminoso se passa por uma pessoa conhecida da vítima, ora clonando seu perfil ora informando que trocou de número (apresentando-se com a mesma fotografia do conhecido), solicitando empréstimos ou adiantamentos em dinheiro.

· Para impedir que sua fotografia seja utilizada neste tipo de golpe: acesse as configurações do seu aplicativo > conta > privacidade > foto do perfil > selecione a opção “meus contatos”. Assim, somente quem estiver na sua lista de contatos poderá ter acesso à sua fotografia, impedindo que criminosos infiltrados em grupos de que você participa venham a obter sua fotografia e solicitar dinheiro a outros membros do grupo.

· Para impedir que sua conta no WhatsApp seja clonada: a primeira medida deve ser jamais informar códigos numéricos recebidos por SMS. Estas mensagens de texto servem para habilitar o aplicativo em novos aparelhos e é assim que os criminosos obtêm acesso à sua conta. Geralmente, solicitam a confirmação desse SMS por ligação telefônica ou mensagem de texto afirmando ser de uma instituição bancária ou da empresa de telefonia.

· Para blindar ao sua conta no WhatsApp contra clonagem: acesse as configurações do seu aplicativo > conta > confirmação em duas etapas. Então, o usuário definirá um PIN - “personal identification number” (número de identificação pessoal), que será exigido toda vez que o aplicativo for instalado em um novo aparelho, e até mesmo periodicamente em seu próprio aparelho.

· Se a vítima já realizou o pagamento deve procurar imediatamente a sua instituição bancária a fim de verificar se ainda é possível bloquear ou estornar estes valores. O próprio bankfone da instituição pode dar este tipo de orientação e, na sequência, procurar a Delegacia de Polícia com cópias de toda a conversa no aplicativo com o objetivo de registrar a ocorrência.


Golpe da maquineta de cartão: criminosos com acesso a aplicativos de delivery, geralmente para alimentos ou compra em supermercados, entram em contato com o cliente imediatamente após ele formalizar uma compra legal via telefone ou aplicativo de mensagens, informando alguma alteração no pedido – muitas vezes oferecendo desconto e se prestando a fazer a entrega imediata. Ocorre que, na hora da entrega e de formalizar o pagamento, o entregador apresenta uma maquineta de cartão com o visor quebrado e o valor cobrado é muito superior ao que efetivamente foi efetivado.

· Para não cair neste tipo de fraude o cliente nunca deve aceitar utilizar o cartão de crédito ou digitar a senha em uma máquina que não exiba o valor que será debitado. Em havendo problemas com pedidos em aplicativos de entrega, todas as tratativas devem ocorrer no próprio aplicativo ou em numeral indicado no próprio aplicativo.


Golpe do link falso: a vítima, geralmente incidindo em erro em razão de um email ou sms recebido ou ainda por pesquisa em sites de busca, acaba por acessar uma página idêntica à verdadeira (de uma loja virtual ou instituição bancária) e fornece seus dados de acesso e senhas ou ainda efetua compras de produtos que não existem através do pagamento de boleto ou cartão de crédito.

· Uma forma de evitar cair neste golpe é se certificar se o endereço que aparece na barra superior do navegador realmente é pertencente à instituição com quem se está tratando. Via de regra os sites oficiais são protegidos e o acesso à conta se dá pelo endereço iniciado em “https://”. Se o endereço da página não começa assim, já existe uma possibilidade de ser um clone.

· Pesquisar os preços médios dos produtos que se busca comprar também é uma boa forma de se evitar cair neste tipo de golpe, geralmente os produtos dos sites falsos são oferecidos por preço bem inferior ao de mercado.


Golpe do falso leilão: os golpistas criam uma página que simula a de um leiloeiro oficial. Oferecem os produtos, via de regra veículos, com valor bem abaixo ao de mercado e exigem o pagamento de adiantamento para “segurar o negócio”.

· Sempre consulte o CNPJ das empresas que afirmam ser responsáveis por este tipo de leilão. Também existem sites que registram reclamações contra este tipo de instituição e podem dar indicativo de que se trata de uma página de fraudes. Somente envie suas informações pessoais em páginas cujo endereço contenha “https://”, “o famoso cadeado de segurança”.


Além das regras específicas para cada tipo de golpe, sempre recomendamos a cautela. Sempre que um negócio parecer muito interessante, converse com alguém de sua confiança, exponha a natureza da transação – a análise de uma terceira pessoa pode abrir os olhos para aquilo que estamos ignorando.


Sempre converse com os idosos de seu convívio a respeito dos golpes mais recorrentes, pessoas de maior idade têm menos familiaridade com o mundo virtual e acabam por estar mais expostas aos riscos do estelionato virtual.


E, por fim, o tempo é maior inimigo do golpista, quanto mais a vítima reflete a respeito do negócio que está formalizando menor a chance de ser pega em um estelionato eletrônico. Pare e pense: pode ser golpe!


Artigo do colunista, Leandro Alberto Albuquerque Stábile, Delegado de Polícia Civil do Estado do Paraná.


[i] https://www.cnnbrasil.com.br/business/golpes-financeiros-explodem-durante-pandemia-veja-quais-sao-e-como-se-prevenir/ [ii] https://antifraudes.febraban.org.br/?gclid=Cj0KCQjwnoqLBhD4ARIsAL5JedJgesUkrobkll8TorlDfUmuaH7ovo_nBieWvN9hs6IAxB8yb9NeYdkaAk1qEALw_wcB [iii] www.delegaciaeletronica.pr.gov.br.



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